Skip to main content

Como reverter o declínio no engajamento e na produtividade?

A Bacia de Campos é responsável por mais de 80% da produção de petróleo no Brasil. A produção comercial começou em 1977 e o número de plataformas foi crescendo ano a ano até chegar a  31 em 2012. Além das plataformas, conta com infraestrutura logística composta por portos, aeroportos, centros de armazenagem e distribuição, plantas de granéis/fluidos, estação de tratamento de água e bases de apoio para lançamento de linhas.

Em 2012 o parque industrial completou mais de 25 anos de operação, com uma curva de produção em declínio em razão do tempo de operação nos campos existentes ("maduros") além de problemas de infraestrutura associados ao longo tempo de operação. Os índices de eficiência operacional, que eram na faixa de 89% em 2009, chegaram a 71% no final de 2011. 

A força de trabalho, com mais de 5.700 empregados (70% embarcados), apresentava uma das mais elevadas taxas de afastamento por motivo de doença no segmento de Exploração e Produção da Petrobras. Havia conflitos frequentes entre gestores de terra e embarcados, desinteresse dos empregados pela carreira gerencial e tensões com o sindicato. 

A implantação de um novo Plano de Negócios e Gestão da Petrobras em 2012 causou significativas mudanças na estrutura gerencial da Unidade responsável pelas atividades da Bacia. Na transição 2011-2012 foram realizadas mudanças gerenciais na Gerência Geral da Unidade; na Diretoria Executiva de Exploração e Produção e na Gerência Executiva do mesmo segmento. Os novos gestores buscavam uma mudança no modelo de gestão, passando de um modelo hierárquico e centralizador, para um modelo com maior delegação e autonomia ao corpo gerencial. Acreditavam que essa mudança seria essencial para a reversão do declínio do clima e dos resultados da Unidade. 

Em conjunto com a Amana-Key a liderança da Unidade construiu um Programa de Alinhamento e Desenvolvimento das Equipes estruturado em múltiplas etapas. Durante o último trimestre de 2013 foram realizados sete workshops de alinhamento com coordenadores, gerentes de plataforma e gerentes de unidades onshore. Esses workshops levaram a um diagnóstico sistêmico de todos os pontos críticos a serem trabalhados na cultura da organização, ao mesmo tempo em que imediatamente sensibilizaram os gestores para as mudanças que deveriam ocorrer. 

O diagnóstico foi transformado em um plano de trabalho implantado ao longo de 2014. Esse plano incluiu palestras presenciais e virtuais, síncronas e assíncronas, cobrindo toda a força de trabalho, inclusive os embarcados, criação de um canal para participação de todo o público envolvido na definição de um conjunto de novas posturas e atitudes, produção de peças de comunicação sobre as mudanças de posturas, formação de especialistas em mediação de conflitos, formação de multiplicadores da cultura, criação de material de auto-estudo sobre as novas posturas, fórum virtual de diálogos além de programa de educação à distância dos gestores para elevação de sua senioridade e senso de julgamento. 

Gradualmente ações de melhoria começaram a ser desencadeadas de forma autônoma, porém coordenada, em diversas frentes: melhorias em políticas e práticas de RH, desburocratização de processos, melhorias na gestão de empresas terceirizadas, ações para aceleração da manutenção e integridade das instalações, ações para recuperação do conforto a bordo e modernização da comunicação, ações para melhoria da logística e dos serviços de transporte, recuperação de equipamentos e aplicação de novas tecnologias para melhor aproveitamento dos campos, ações para maior eficiência e velocidade no fornecimento de materiais, entre outras. 

A partir de 2014 a curva de declínio da produtividade e da eficiência das operações começou a ser revertida. Houve redução de mais de 20% no custo de extração, melhoria da previsibilidade e picos de 80% na eficiência operacional em 2015 e 2016. A Bacia de Campos voltou a ser vista como um gigantesco laboratório a céu aberto, onde a Petrobras testa as principais tecnologias offshore experimentadas no desenvolvimento de projetos de produção a profundidades d'água nunca testadas anteriormente no mundo.

Comments

Popular posts from this blog

Como manter o espírito inovador?

A Fiat foi primeira grande montadora a construir sua principal fábrica fora do ABC paulista, em 1976. O primeiro carro que lançou no país, o lendário FIAT 147, foi pouco depois, em 1979, disponibilizado de forma pioneira em uma versão que utilizava o álcool como combustível. Derivado do 127 italiano, o modelo 147 trouxe para o Brasil a fórmula mais atualizada da engenharia de automóveis de grande produção: motor dianteiro transversal, tração dianteira, coluna de direção retrátil e pneu radial de série. Em 1984, foi lançado o Uno, modelo que se desdobrou em várias versões (como o pioneiro modelo equipado de série com motor turbo em 1994) e carrocerias. O Uno acabou entrando para história como pioneiro no segmento dos “carros populares”. Seu sucessor, o modelo Palio, lançado em 1996, conseguiu a proeza de roubar a liderança de vendas do Volkswagen Gol. A partir daí, a Fiat manteve anos de liderança não disputada do mercado. No início de 2006 a Fiat procurou a Amana-Key com a segui...

Como envolver 8.000 pessoas em projetos estruturantes?

Como resultado final de uma reunião estratégica em Dezembro de 2015, a alta administração da Copel - Companhia Paranaense de Energia - decidiu realizar oito projetos estruturantes para atender a três objetivos principais: 1) Reacender e fortalecer a atitude inovadora e o espírito empreendedor que caracterizavam a empresa e que eram sua principal fonte de diferenciação e reconhecimento.  2) Fortalecer o engajamento dos colaboradores e tornar a Copel uma das melhores empresas para trabalhar em seu ramo.  3) Aprimorar a execução dos projetos do "business as usual" bem como dos novos projetos como maneira de colocar a empresa em uma trajetória ascendente de resultados financeiros e não financeiros.  Abrigados sob o guarda-chuva do "Programa Ânima", os oito projetos selecionados eram destinados a criar: a) Uma cultura de protagonismo e engajamento.  b) Uma liderança mais participativa e humanizada.  c) Bem-estar e satisfação plena de todos...